13 de julho de 2011

Casagrande faz mea culpa e promete retomar investimentos abandonados

Ao fazer o balanço do primeiro semestre, que o governo insiste em não tratar como balanço, Renato Casagrande avaliou que a equipe cumpriu à risca a ordem de segurar os gastos neste início de governo. No discurso dessa terça-feira (12), feito a portas fechadas no palácio Anchieta para os secretários, diretores e presidentes de autarquias, Casagrande virou o disco e pediu agora mais celeridade na aplicação dos investimentos no segundo semestre. Fazendo uma mea culpa das áreas que ficaram a ver navios no primeiro semestre, o governador salientou que segurança, saúde e transportes receberão atenção especial.
Essas foram justamente as três áreas que mais causaram problemas para o governo e insatisfação para a sociedade. Foram também essas três áreas as que mais causaram repercussão negativa à imagem do governo nesse primeiro semestre.
Na saúde continuam os problemas de superlotação nos hospitais públicos, filas intermináveis e a falta de retaguardas no interior do Estado. Gargalos que acentuam o estrangulamento do já sobrecarregado atendimento dos hospitais da Grande Vitória, que vivem à beira do caos.
Na área de transporte e mobilidade urbana, os gargalos, que já fazem parte do cotidiano do capixaba, vieram à tona com a manifestação de rua dos estudantes. O governo, que já havia saído arranhado do episódio em Aracruz - marcado pela a ação violenta da polícia para retirada de mais de 300 famílias que ocupavam um terreno da prefeitura –, duas semanas depois, botou o Batalhão de Choque em cima dos estudantes para conter uma manifestação pacífica que contestava o valor das tarifas cobradas pelo sistema Transcol.
Irredutível em estabelecer um canal de diálogo com os estudantes, o governo empurrou o problema com a barriga e esgarçou ainda mais a relação com os movimentos sociais. A inabilidade em conduzir as negociações fez o governo perder o controle da situação e permitiu que os confrontos entre a polícia e os estudantes ganhassem espaço de destaque na mídia nacional e arranhasse ainda mais a imagem do segundo governador com maior aprovação proporcional nas urnas nas últimas eleições.
Depois do estrago feito, o governo resolveu finalmente sentar com os estudantes e apaziguar os ânimos, percebendo que o “bicho” tinha bem menos do que sete cabeças e que o impasse não precisava ganhar as proporções que ganhou.
A segurança é um capítulo à parte. Para quem disse durante a campanha e no primeiro discurso como governador que iria cuidar pessoalmente da segurança, quase como um filho, Casagrande deixou a desejar. Para tentar amenizar as críticas, há cerca de dez dias o governo fez um balanço do primeiro quadrimestre da violência, embora os números dos seis primeiros meses já colocassem os dados anunciados pelo governo como “fresquinhos” em xeque.
No recorte preparado pelo Instituto Jones Santos Neves, que ficou encarregado de emprestar credibilidade aos dados, o governo deu destaque à redução da violência em alguns municípios da Grande Vitória, omitindo a informação de que a violência definitivamente para o interior do Estado, onde as taxas de homicídios de alguns municípios já romperam a casa dos 100 assassinatos por 100 mil habitantes.
Voltando ao balanço dessa terça, Casagrande delegou ao secretário de Economia e Planejamento, Guilherme Pereira, o papel de porta-voz do governo. A preocupação do secretário foi transformar em números os resultados do governo. Pereira elogiou a disciplina da equipe de governo que gastou exatamente a metade do R$ 1 bilhão previsto para 2011 no primeiro semestre.
Disse Guilherme que Casagrande gostou dos números e pediu à equipe que renove a carteira de projetos da administração, para que seja mantida a capacidade de investimentos em novas ações, a serem programadas para os próximos anos.
“Os projetos de governo são necessários para que coloquemos em prática o que está previsto em orçamento, por isso, a orientação de que os secretários mantenham a produção em suas respectivas pastas. Além disso, os secretários também deverão incluir nos orçamentos das secretarias as prioridades definidas nas audiências públicas realizadas pelo governo”, explicou.
Pereira lembrou que a peça orçamentária do governo do Estado tem prazo fixado até o último dia útil do mês de setembro para ser encaminhada à Assembleia Legislativa, enquanto o Plano Plurianual (PPA) deve chegar ao Legislativo no final do mês de agosto.
Mesmo assombrado pelo risco de perder cerca de R$ 1.3 bilhão no orçamento, caso o Congresso aprove a Emenda Ibsen que diminui a participação dos Estados produtores sobre os royalties do petróleo, Casagrande preferiu manter o tom de otimismo e tocar os projetos do governo para o segundo semestre sem ficar amarrado à decisão do Congresso Nacional.

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